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Adenovirose


2008-09-19 18:06:19
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O que é o Adenovírus??????

            Faz uns 10-12 anos chegavam-nos noticias muito isoladas de problemas sanitários na Europa (sobre tudo nos países baixos: Bélgica e Holanda) com elevadas mortandades sobre tudo em animais jovens.

             No ano de 1998 graças a iniciativa do Clube Columbófilo Leonés, organizaram-se umas jornadas columbófilas em que participou o famoso Jac Van der Weggen e o Dr. Henk de Werd (prestigiado veterinário holandês e filho de uma celebridade como é Piet de Werd).

             Centrando-nos no tema sanitário, junto com outro companheiro, fui escolhido para ir buscar os oradores ao aeroporto de Barajas(Madrid). Durante a viagem e como introdução ao tema do dia seguinte, recolho alguns dados que no dia seguinte se irão expor de uma forma mais colectiva.

             Nos expôs o Dr. De Werd que esta doença era provocada principalmente por um vírus da família Adenoviridae.

             Soube-se com o isolamento do vírus na Universidade de Gant (Bélgica), que numa primeira fase este vírus, ao qual se denominou Adeno-Coli Tipo1, afectava quase exclusivamente borrachos e que no seu país sobretudo aparecia nos pombais que concursavam com borrachos de forma mais exigente.

             Numa primeira fase esta doença era totalmente desconhecida, pelo que os profissionais sanitários, perante as solicitações dos columbófilos, viam-se IMPOTENTES e desolados pelos estragos que a doença fazia nas colónias.

             Nestes primeiros casos, observava-se uma intensa diarreia, um grande aumento do consumo de agua, alguns indivíduos apresentavam uma acumulação de liquido no papo que saia ao agarra-los e uma percentagem de 15-35% acabavam com morte súbita num curto período de tempo, 1-3 dias.

             Além do isolamento do vírus se observou, de forma quase constante, que nos animais doentes se isolava igualmente e de uma forma mais fácil E.coli patogénico e é por isso que existem muitos que denominam a doença como ADENO_COLI.

             O Dr. De Werd que segundo o seu ponto de vista era uma doença multifactorial e que além de estes dois agentes ele considerava que uma vez instalada a doença, outras doenças secundárias, como a micoplasmose, estreptococos, estafilococos e incluso o herpes vírus que estavam latentes nos pombos poderiam surgir.

             Pensou-se que esta doença podia ter surgido, como consequência do uso frequente nos países baixos de corticoides para atrasar ou paralisar a muda nos borrachos por causa dos concursos. O uso destas substâncias tem como um dos muitos efeitos secundários a inibição do Sistema Imunitário, o que junto a pouca idade dos animais que padeciam (portanto sistema imunitário pouco desenvolvido), implicava que eram os CANDIDATOS IDEAIS para a doença.

             Com o decurso da doença apreciou-se que era difícil atenuar os efeitos que a mesma causava, mas ao fim de um período a volta de 40-60 dias os efeitos atenuavam no entanto depois de ter causado baixas por perdas e mortes dos animais jovens.

             Mas tarde, 1-2 anos depois, apreciou-se que os mesmos sintomas apresentavam-se nos animais adultos (já não era uma doença exclusiva dos borrachos) e de forma muito acentuada em fêmeas próximas de efectuar a postura.

             Os sintomas eram idênticos aos dos borrachos, diarreias muito aquosas, isolamento de outras doenças secundárias, transtornos respiratórios e como novo sintoma,  dificuldade na postura e inclusive morte súbita no  ninho.

            Isolou-se novamente outro vírus com ligeiras diferenças em relação ao primeiro e denominou-se Adeno-Coli Tipo 2. Neste caso aparecia importantes alterações no tecido do fígado e esta variante podia afectar tanto exemplares adultos como jovens.

             Uns 2-3 anos depois deste encontro e apareceram os primeiros casos em Espanha, tendo em conta os sintomas que apresentavam, a sua cronologia e análise podia-se afirmar que a doença já estava presente (muito provavelmente como consequência a perda dos pombos portadores da doença).

             Num primeiro momento pensou-se que podia ser uma variante da Paramixovirose com maior afectação digestiva, mas as análises clarificaram que se tratava de adenovírus (em algumas ocasiões os laboratórios diagnosticaram herpes vírus muito provavelmente por confusão) e numa alta percentagem dos casos também se isolava E.coli patogénico. Numa ou outra ocasião também se diagnosticaram micoplasmas.

 Resumindo:

 A adenovirose é uma doença originada por um vírus da família Adenoviridae.

 Muitos autores denominam ADENO-COLI pela associação de ambos os agentes (Adenovírus e E.Coli) aos quais se pode juntar de forma secundária micoplasmas, estafilococos, estreptococos, herpes vírus,

 Existem 2 tipos:

                        Tipo 1 : afecta quase exclusivamente animais jovens.

                        Tipo 2 : afecta tanto adultos como jovens.

Os principais sintomas são:

                        Mal-estar geral.

                                                    Adenoviros0.JPG

                        Diarreia aquosa (consequência das lesões que provoca o vírus nas paredes intestinais), que origina um grande aumento no consumo de agua.

                                                   Adenoviros1.JPG

                        Acumulação de água no papo que ao agarrar os animais sai para o exterior, acompanhado de vómitos muito frequentes que facilitam a propagação da doença.

                                                   Adenoviros2.JPG

                        Imobilidade dos animais afectados, perda de apetite e em algumas ocasiões morte súbita em 1-3 dias.

                         No Tipo 2 e nas fêmeas em cria, dificuldades na postura e morte súbita inclusivamente no ninho.

                         Emagrecimento progressivo por causa da diarreia intensa e por falta de apetite.

                         Lesões no fígado e presença de outros agentes secundários (colibacilos, micoplasmas,…), principalmente no Tipo 2.

                                                   Adenoviros3.JPG

Prevenção:

            Isolamento dos animais que se introduzem de outros pombais.

            Isolamento de animais que apresentem sintomas da doença.

            Desinfecções periódicas do pombal.

 Tratamento:

            Não existem vacinas eficazes a 100% lamentavelmente.

             Realizar sobe orientação de sanitários, tratamentos para tratar possíveis doenças secundárias que surjam. O uso INDESCRIMINADO E SEM CRITÉRIO de medicamentos aumentam os danos.

             Uso de electrólitos e vitaminas que melhoram a hidratação e estado geral assim com estimulam o sistema imunitário.

 Comprovou-se que o emprego de ácidos na água poderá travar a expansão e disseminação do vírus (baixa o PH da agua) ex. ácido acético=vinagre, mas o abuso do mesmo em animais jovens tem efeitos prejudiciais.

 Também é aconselhável o emprego de lactobacillus que faz uma acidificação similar, com menos efeitos secundários.

 Outros autores dizem que o adequado emprego de chá de cortiça de salgueiro (pelo seu contido em acido acetil salicilico), assim como protectores hepáticos.

 Emprego de desinfectantes no pombal, ex. Virkon.

 Dieta variada e com alto teor em fibra para compensar ligeiramente a diarreia.

 A recuperação total da doença, nos casos de forte afectação do fígado, é lenta mas em muitas ocasiões os pombos que a superam servem perfeitamente para seguir concursando e criando.